Como tornar seu RH estratégico de fato.


Lucimar Delaroli

Desde o ASTD de 2000, se não me falha a memória, o assunto mais comentado, os temas mais cobiçados, as intenções mais presentes entre gestores e RH eram e continuam sendo “como tornar seu RH estratégico”. Mas, o que isso significa de fato? Agora mesmo em que estamos vivendo uma crise mundial com fortes reflexões na contenção de despesas das empresas, como fazer RH ter voz, tornar-se diferencial? Esta é também uma pergunta recorrente em 99% das turmas de treinamento que ministro para RH. Sejam nas formações técnicas ou nos programas sobre Gestão de Pessoas, onde há gente de RH reunida é esta a pergunta!

Segundo depoimento de muitos deste treinandos, suas empresas, salvo boas e crescentes exceções,  não tem visão de longo prazo, não valorizam  e não investem em treinamento, transformam os profissionais em burocratas de relatório, não os chamam para participar das decisões, só focam em folha de pagamento, não têm planejamento estratégico estruturado e por aí vai… Já viu este filme? Pois é. Percebo esta fala com um ar de lamúria, quiçá de vítima… A pergunta que eu sempre faço é “ e você profissional de RH, está preparado para ser estratégico? Sabe o que é ser estratégico?” Geralmente a resposta é uma cara de espanto que varia do ofendido ao cético.

Então faça esta viagem comigo. Se hoje seu diretor ou o CEO de sua empresa recebesse um feitiço e passasse a convidá-lo para as discussões estratégicas; solicitasse-lhe um plano de treinamento com indicadores de resultados; pedisse que você lhe “provasse” ou demonstrasse  como o pessoal agrega valor; e mais, lhe pedisse que fizesse uma apresentação demonstrando o quanto a área de RH de sua empresa é estratégica, o que você faria? Pense um pouco, vai!

Logo, a pergunta é: RH não é estratégico por que os gestores não tem visão ou por que os profissionais de RH não sabem bem mostrar a que vieram? Sei que posso ser apedrejada por esta frase.

Quantos de nós dominam bem uma planilha eletrônica, sabem fazer orçamentos, conhecem o negócio da empresa, sabem falar de indicadores com os gestores de cada área, conhecem as metas de curto e longo prazo da empresa e sabe ler os relatórios financeiros produzidos pela diretoria? E mais, sabemos fazer pesquisa, diagnóstico, entendemos de cultura empresarial, de processos de grupo? Se sua resposta foi sim para estas questões, então meu caro, você está pronto para ser estratégico. Mas, se a resposta for não….

Ser estratégico é demonstrar à sua empresa o quanto investir em gente dá retorno. É uma conta básica que qualquer supervisor de produção sabe fazer: tenho 10 funcionários e produzo 100 peças, se elevar a conta para 110 peças por funcionário mantendo os mesmos custos fixos e o mesmo número de funcionários estarei alavancando resultados, obtendo produtividade. Simples, não?!

Tudo bem, gente não é tão simples assim. Mas, o caminho é por aí.

Alinhe as ações de Treinamento às metas, busque indicadores que comprovem o retorno sobre o investimento. Não pergunte ao seu cliente sobre o perfil que ele deseja na Seleção. Diga a ele qual o perfil de competências necessários para fazer esta área e empresa sair do estágio atual e chegar ao estágio desejado. Não diga ao gestor que o salário que ele oferece não atende às demandas dos candidatos no mercado, proponha uma solução. Saia do tecnicismo e atue como parte da solução. Prepare-se para ser um consultor interno, para ter uma visão generalista, para lidar com figuras de poder (empresários); para ser um coach de seus gestores. Isso é ser estratégico. Um setor de RH não pode ser o que o conjunto de sua equipe não é. Só teremos um RH estratégico de fato, quando formos nós estratégicos.

Pegue-se um problema de queda de vendas, perda de clientes, queixa de clientes, saída de funcionários. São problemas objetivos, é mais fácil demonstrar a correlação entre ações desenvolvidas e resultados obtidos. Mas, mesmo assim, patinamos.

Veja só um exemplo recente trazido por uma treinanda: Sua empresa tinha queda de vendas e aí decidiu-se treinar os vendedores e esperava-se que após o treinamento as vendas aumentassem, certo? Perdeu-se x reais nos últimos 3 meses; investiu-se y reais num curso para tantas pessoas por tantas horas e ao final dos mesmos 3 meses em se recuperando as vendas e alavancando-as, teve –se um bom ROI. Mas, aí é que está o problema- que chamo de “inocência de RH”. Não se pode atribuir toda a solução a treinamento, por que se o número não voltar a crescer, deduz-se que o treinamento falhou. Há um conjunto de fatores interrelacionados, dentre eles, treinamento. Mas, se as vendas, neste exemplo, não voltarem a crescer alguém cogita em acabar com a área de vendas? E de marketing? Por que? Por que estas áreas conseguem se provar de sua importância e RH não?

Para que uma empresa venda ou volte a vender basta ter uma equipe treinada? Não! Há muitas variáveis envolvidas: logística entrega? Marketing divulga adequadamente? Produtos tem bons preços? Como está a concorrência local? Todos estes são fatores que podem interferir na performance de vendas, concorda? Então, o RH antes de topar esta missão simplista: treino= aumento de vendas, por exemplo, precisa entender do negócio, da atividade fim da empresa, conhecer suas variáveis e se não conhece, de quem é a “culpa”? Torna-se então boi de piranhas.

Caro RH se você está na turma dos que trazem as queixas citadas acima sobre sua empresa e você se sente “vítima” de empresários míopes, tá na hora de mudar seus conceitos. Que bom que ele é míope, há enormes oportunidades nesta empresa!. Se você não faz parte deste grupo e trabalha numa empresa em que RH é valorizado e senta-se na cadeira das decisões estratégicas, então você é um cara feliz e nem deve ter lido este artigo.  Sucesso!

Escrito por **Lucimar Delaroli**PRESENÇA CONFIRMADA NO 2º CONGRESSO DE RECURSOS HUMANOS DO INTERIOR PAULISTA COM A PALESTRA CONSULTORES INTERNOS DE RH – também irá participar junto com a Consultora MARCIA RIZZI da apresentação de um Workshop World Café – um processo participativo para gerar diálogos colaborativos e participativos entre os congressistas.

** Mestranda em Gestão do Conhecimento (Universidad de Léon-Espanha), Especialização latu senso em Gestão de Recursos Humanos (MBA) –  PUC/RJ; MBA em Marketing –  ESPM/RJ;  Pós graduação em Transpisciplinaridade, Aprendiz da Formação Holística de Base pela Unipaz SP;

Certificada pelo Sistema ISOR, em coaching, mentoring e holomentoring.

Dinamicista de Grupo,   Habilitada nas metodologia MBTI® de Inventário de Personalidade e na Development Talent, da Global Novation;

Psicóloga,  Bacharel e Licenciada em Psicologia – Universidade Gama Filho/RJ.

24 anos de experiência em gestão de T&D e  em RH em empresas nacionais, multinacionais, ONG e Consultorias.

12 anos atuando como Consultora de empresas realizando Diagnósticos Organizacionais, desenvolvendo soluções educacionais em Gestão de Pessoas e implantação de programas de capacitação e treinamentos.

Implementou programas de Estágio e Trainee, Desenvolvimento de Lideranças (em diferentes níveis), Banco de Talentos e Gestão por Competências em diferentes organizações; autora de vários artigos e manuais técnicos.

Professora dos cursos de Pós graduação nos MBAs  de Marketing da ESPM e de Gestão de  Negócios do IBMEC; bem como de diversas disciplinas do curso de Tecnólogo em RH pela UNESA.

Co autora do livro Ser Mais Gestão de Pessoas, pela Ed. Ser Mais;  Criadora do Blog “Compartilhe com LDelaroli”: http://blogdaeledelaroli.blogspot.com

3 pensamentos sobre “Como tornar seu RH estratégico de fato.

  1. Prezada Lucimara,
    Excelente seu artigo e sua proposta de reflexão e trabalho. A conheci em um treinamento na Integração – Consultoria Interna de RH, e sua postura e firmeza me fizeram ler e reler esse importante artigo.
    De fato pontos identificados como atitude e ambiente de mudanças vem sendo um grande diferencial e num ambiente onde há grandes conflitos de gerações e de culturas as empresas querem um só objetivo, resultados prositivos. Acredito que seja nesse contexto que nosso RH precisa ser estratégico e um diferencial.
    Espero conseguir mais conhecimento e de fato trazer uma mudanças significativa para minha organização e o seu negócio. O maior desafio atual é o rotulo de “Y” que tem lados positivos e negativos, ou seja CEO´s estratégicos e gestores preocupados ou sem habilidade com este novo ambiente.
    Novamente parabéns!
    Sucesso.

    Adriana Ruiz

  2. Oi, Adriana, agradeço suas gentis palavras. Independente de sua geração, como você mesmo disse, as organizações querem resultados significativos e os profissionais, que tem paixão pelo seu trabalho, assim como você, querem se realizar e deixar um legado. Isso é universal! Então, deixe de lado estes “rótulos” e mantenha seu foco e superar-se a cada dia, agregar mais e mais valor à sua organização e, consequentemente, aos seus colaboradores e os consumidores finais. É isso aí, o resto, bem, é o resto rsrsrs
    Grande abraço!

  3. Olá Lucimar

    Voce foi direto ao foco da questão. Como atuo em consultoria e capacitação de gestores nas áreas de estratégia empresarial e gestão por processos há vários anos, quando o RH é chamado a participar destes projetos, ainda hoje fica uma duvida de qual será a sua efetiva contribuição, enquanto outras áreas como Marketing, Vendas, Produção, etc… conseguem enxergar e executar os seus respectivos papéis estratégicos.

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