Em busca da verdadeira beleza


William Sanches

William Sanches

A mais nobre paixão humana é aquela que ama a imagem da beleza em vez da realidade material. O maior prazer está na contemplação. 

Leonardo da Vinci

Consultando os livros sobre Arte existentes numa biblioteca, em especial aqueles que contêm exemplos de obras de arte elaboradas em tempos remotos, como as obras antigas, renascentistas, neoclássicas, românticas etc, é possível constatar como o modelo de beleza, em especial o feminino, mudou radicalmente ao longo da História da humanidade. Assim, as pinturas e esculturas, ao longo dos séculos, informaram as várias gerações enquanto linguagens imagéticas que sempre foram quais eram as características físicas daqueles que, por possuí-las, expressavam o ideal de beleza de um ser humano.

Por muitas eras, esse modelo de beleza consistia em estruturas ósseas muito fortes em corpos muito pesados e repletos de contornos: eram épocas em que reinavam como belas as “pessoas” grandes e gordas: a Vênus de Milo, Helena de Tróia, os heróis da Antigüidade (todos musculosos e enormes), as musas greco-romanas, a Mona Lisa e todas aquelas mulheres que, como dizem até hoje os muçulmanos com um sorriso de satisfação, “enchem uma cama”.

No século XX, porém, o rompimento total com esse modelo aconteceu por causa do materialismo voraz que tomou conta de tudo e de todos. Desde o início da industrialização e do sistema capitalista, tudo se tornou uma mercadoria.

Com o passar do tempo, além daquela mercadoria que o trabalhador vendia – a sua força de trabalho, a mão-de-obra humana – muitas pessoas que se enquadravam no então modelo ideal de beleza passaram a vender a sua imagem e, através e graças a essa imagem, passaram também a vender de tudo que fizesse com que as outras pessoas acreditassem que seu “consumo” as tornariam também belas, as colocariam dentro desse padrão. Até hoje é assim: esperando ficar igual à garota propaganda, por exemplo, as consumidoras compram o que podem e o que não podem; o mesmo acontece com os homens, pois há muito a vaidade deixou de ser uma característica predominantemente feminina.

O modelo ideal de beleza humana tornou-se aquele em que, dentre outras características, as pessoas têm que ser magérrimas. Livros, cosméticos, dietas, cirurgias plásticas, aparelhos de ginásticas, remédios, tratamentos e tudo que leva alguém a ter a estética perfeita em termos físicos é muito vendido inclusive com a grande colaboração dos meios de comunicação de massas, principalmente da televisão que, em período integral, mostra o supra-sumo da beleza humana vigente e vende ininterruptamente milhares de produtos.

É por isso que a indústria, o comércio e a mídia a serviço da estética humana têm um lucro inimaginável.

Por outro lado, essa fatia bem sucedida da economia de qualquer sociedade capitalista ainda tem como aliada a idéia – da qual ninguém discorda – de que a gordura em excesso é uma doença e uma dieta saudável, exercícios físicos e uma rotina com qualidade são imprescindíveis para uma vida saudável. Este, sem dúvida, é o aspecto positivo de tudo que aqui está sendo tratado e há inúmeras e importantes pesquisas já publicadas em livros sobre o assunto, o que também torna essa literatura economicamente bem sucedida.

A obsessão em se enquadrar a qualquer custo no modelo de beleza atual, em obter o corpo perfeito para fim meramente estético, como toda obsessão, é uma doença tão ou até mais preocupante do que a obesidade mórbida e tem levado muitas pessoas a iniciarem, sem consultar profissionais especialistas no assunto, dietas rigorosas por conta própria e a violentar o corpo. O resultado disso é o surgimento de doenças que podem levar à morte: anorexia, bulimia, anemia profunda, leucemia, desnutrição etc.

O Brasil tornou-se um dos principais países em quantidade de cirurgias plásticas. Enquanto a França exporta perfumes, o Brail exporta “corpos”. Recentemente, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos comprovou que apenas 2% das pessoas se acham bonitas. Um dado assustador, pois se 98% das pessoas se acham feias de alguma forma, o objeto de desejo estabelecido não está sendo alcançado. O que as pessoas precisam perceber é que cada uma possui sua beleza particular e principalmente que a beleza mais importante está sendo esquecida: a beleza interior. Se a pessoa estiver feliz, de bem consigo mesma, as outras também a acharão bonita exteriormente, pois a beleza interior é fundamental e se reflete no físico de quem a tem. Dorian Gray, personagem-título do livro “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, depois de seu pacto com as forças do mal, era eternamente belo e jovem, mas como sempre teve índole igualmente maligna, os reflexos de sua feiúra interna eram marcados em seu retrato, uma representação de sua alma em forma de pintura. Assim, Dorian Gray era alguém muito belo por fora e horrível por dentro. O final da história dessa personagem tão famosa, o leitor saberá ao ler o livro, pois não o privaremos desse prazer e dessa lição.

Por mais que faça uma cirugia reparadora ou dezenas de sessões estéticas em busca da beleza, se a pessoa não mudar seu estado de espírito, ela continuará se achando feia ou fora do padrão e todos a sua volta certamente terão a mesma opinião. Já as pessoas que são extremamente bonitas interiormente são admiradas por muitas outras.

De que adianta uma pessoa ser fisicamente linda, se a sua maneira de ser, de agir, de tratar os outros, de se expressar não são de agrado daqueles que com ela convivem ? De nada adianta, pois essa pessoa estará constantemente sozinha mesmo sendo muito bela.

O contrário disso também vale: uma boa conversa, uma manifestação de sabedoria, um sorriso, uma palavra agradável e confortante muitas vezes fazem com que o feio bonito pareça e esteja sempre rodeado de outras pessoas.

O materialismo radical da atualidade, que exige a aparência ideal nas atividades profissionais e pessoais, leva as pessoas a conjugar apenas um verbo: ter. No intuito de querer ter, o ser humano da atualidade está se esquecendo do mais importante: SER. Ser bonita é algo bom e necessário, mas não é o essencial. Ser inteligente, ser sociável, ser ética, ser generosa, ser livre, ser feliz! Essas são as características da verdadeira beleza humana. Afinal, a voz do povo é a voz de Deus: de que adianta por fora ser bela viola se por dentro se é um pão bolorento?

Escrito por **William Sanches** – PRESENÇA CONFIRMADA PARA O 2º CONGRESSO DE RECURSOS HUMANOS DO INTERIOR PAULISTA COM A PALESTRA – ” Conhecimento – Objeto de Transformação Político Social”

** William Sanches nasceu em São Roque, São Paulo. 

Ainda na adolescência, iniciou sua carreira como professor nos cursos técnicos de uma pequena escola profissionalizante.

Desde então, dedica-se à educação. Já em São Paulo, formou-se em Letras, posteriormente aprimorou seus conhecimentos com o curso de pós-graduação em Língua Portuguesa e Literaturas. Comprometido com a educação, também cursou Pedagogia. 

Participou de importantes congressos no Brasil e no exterior, entre eles, o VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais na Universidade de Coimbra, Portugal.

Autor dos Livros PEDAGOGIA DO COMPROMISSO, MAIS RESPEITO! e VEM SER. Também é Colunista da Revista Contemporânea e do Portal DestaqueSP.

Atualmente, é Professor Universitário em São Paulo e também se dedica às palestras que profere em todo Brasil. 

Seus temas estão sempre voltados para as questões humanas tais como: educação, respeito, amor, fé e espiritualidade.

Como convidado, participou de importantes programas de televisão e de rádio, realizou centenas de palestras e já falou para um público estimado em 300 mil pessoas.

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