Liderando a inércia


“Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele.”

Isaac Newton.

Leonardo Peracini

Leonardo Peracini

É notável que em qualquer empresa ou relacionamento a tendência é diminuir os “movimentos” e cair na rotina, na mesmice. Um bom líder fica sempre de olho na inércia, pois ele sabe que liderá-la é fundamental para a saúde da empresa. Como os exercícios físicos, que são necessários para manter o nosso corpo mais forte e saudável. Não dá para ficar caminhando na mesma velocidade à vida inteira.  Lutar contra a inércia é aumentar a velocidade da caminhada de forma gradativa e consciente. É imprimir as forças corretas para o objetivo desejado.  É sentir os músculos “queimando”, quando o grau de exercício físico é aumentado. É sentir as dores musculares no outro dia. Nenhum organismo fica mais forte e saudável se for aplicado o mesmo estímulo.

Dentro das empresas a inércia atrofia os desafios, motivação, inovação, relacionamentos, crescimento pessoal, atravanca as oportunidades e gera a perda de sentidos e significados do porque de estar ali trabalhando. As pessoas ficam literalmente paralisadas.

Sem propósitos. A resposta deste efeito é o aumento das conversas improdutivas em reuniões e corredores. Aumenta também o índice de desengajamento dos colaboradores com as metas e tarefas. Muitos, não aguentam e trocam de empresa. Ou melhor, tentam trocar de relacionamentos e de liderança.

A quebra da inércia pode causar inseguranças, medos, dores e desconfortos, como no exercício físico. Entretanto, ela provoca a transformação do ser humano por meio do movimento. Esse movimento é entre o corpo e o estímulo oferecido pelo meio externo. Cada um reage de uma forma frente às adversidades. O movimento cria uma força. Essa força gera outra força, que essa muda o ambiente e cria um monólogo: Como você se sai dessa? Qual tipo de ferramenta você vai usar desta vez? Você está preparado para o choque? Consegue desviar do que vem pela frente? E agora, vai pedir ajuda? Vai fugir? Você está forte o suficiente para encarar? Quem é você? O quanto de força você acumulou até agora para resistir a estas forças? O movimento serve para fortalecer as forças. Ela destrói e constrói a todo o momento. É um ciclo que é necessário para gerar mais qualidade na qualidade, mais produtividade na produtividade, mais significado no significado, mais  vida na vida. É como o professor e filósofo, Mauro Sousa, que escreveu em seu livro: “NIETZSCHE: Viver intensamente, tornar-se o que se é”.

Impor ordem ao caos é resistir ao caos, é pôr-se naquele momento como mais forte.

Resistir ao ambiente é tornar-se mais forte que ele. Sendo assim, estar inserido no mercado é estar acima dele, é superá-lo. Esse conceito não tem nada de darwinista, porque o darwinismo é um erro enquanto ensina “adaptação”. Resistir é um exercício de poder. Até quem manda resiste. Aliás, para mandar é preciso ser muito resistente em termos de ter força. Avançar é resistir. Recuar é resistir. Liderar a inércia é estar insatisfeito todos os dias. É sair da zona de conforto e estar aberto para o desconhecido, não deixando as estratégias se tornarem apenas sonhos e passatempos. É viver 24 horas estimulando o crescimento profissional, implantando novos procedimentos e processos. É regar todos os dias as sementes que foram e estão sendo plantadas. Como um sistema de gotejamento. É inspirar os liderados a fazerem cada vez mais e melhor. É crescer em conjunto. É aceitar que a inércia sempre vai existir. Não adianta fugir. É preciso aprender a liderá-la. Usá-la a favor. Portanto, quem espera da vida só, “sossego”. Esse será um forte candidato a frustrações e decepções.  Se questione: O que  eu tenho feito de diferente? Quantas pessoas novas eu conheço por dia? Quem eu era há cinco anos e quem eu sou hoje? O que mudou? E porque mudou? Olhe suas fotos antigas e compare as diferenças.

O filósofo, Mario Sergio Cortela, faz uma bela reflexão quando falamos sobre esse “movimento de transformação”. Essa reflexão, desde que a conheci, vive a viva dentro de mim. Vejamos: Quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeito com o teu trabalho”, é assustador. O que sequer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas”.

Observe que sair da inércia é criar movimento. É continuar a caminhar. Escalar. Mover pessoas e propósitos. O líder é aquele que faz a roda girar. Que tira os liderados de seu estado de repouso ou de movimento uniforme e convida-os as mudanças. A ficarem grandes e fortes. Como o ouro, que quanto mais intenso é o fogo usado para polir o metal, mais limpo e belo ele fica.

Mas se atente, pois quebrar a inércia é fácil. Isso acontece a todo o momento. Como já havia dito, tudo está sendo desconstruído e reconstruído. O difícil é reconstruir e descontruir do jeito certo, na hora certa, com a estratégia adequada. Muitos líderes, por excesso de autoconfiança ou por inseguranças, usam de estratégias que geram mais problemas do que soluções.  Eles literalmente quebram a inércia de tal forma que nem mesmo eles e suas equipes conseguem suportar a alteração das forças. Tomam decisões de “cabeça cheia”. Um exemplo são aquelas famosas frases: “Precisamos cortar a cabeça de alguém para mostrar a todos a nossa autoridade”. Na verdade essa frase quer dizer: “Não conseguimos liderar, não enxergamos outra solução, precisamos gerar medo”. “Não sabemos como gerar o próximo movimento”. “Estamos desesperados, pois não conseguimos descontruir para reconstruir”.

“Não temos definido de forma clara quais serão os nossos próximos movimentos.” Isaac Newton é considerado o pai da ciência moderna – e não sem motivos. Ele entregou para humanidade, aos 23 anos, as fundações do cálculo integral, da lei da gravidade e das leis do movimento e inércia, além de experimentos com luzes.  Iluminou a ciência e gastou a sua vida investigando e estudando. Construiu suas forças nas águas do saber. Foi um homem que esteve sempre em movimento e insatisfeito. Sua vida, apesar dele ter um perfil introspectivo, não era “engessada”, pelo contrário, era cheio de movimentos. O que este homem tinha de diferente? Como ele conseguiu chegar aonde chegou? O que sua mente tinha de diferente que conseguiu enxergar tão a frente do mundo? Quais eram suas forças? O quanto de pressão ele conseguia suportar? Quais eram seus motivos e propósitos? Caro leitor, tudo é força sobre força. O “pulo do gato” é saber usá-las ou suportá-las. Forças criam movimentos. Movimentar-se é crescer em conjunto. É ter a sensação de deslocamento e sentir que a “coisa” está andando. É saborear as maçãs que caem nas tempestades ou nos dias de calmarias.

Leonardo Peracini

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