Você tiraria a sua própria vida pela empresa em que trabalha?


Por que um homem explode o seu próprio corpo em prol de uma causa? Deixando na maioria das vezes esposa e filhos. O que faz um ser humano acreditar tanto em algo? Que motivo seria esse? Que capítulo é esse que ainda não foi inserido no planejamento estratégico de muitas empresas

Leonardo Peracini

Leonardo Peracini

Houve um tempo em que só se cobrava de um líder conhecimentos, habilidades e atitudes. O famoso CHA, estudado e inserido no mundo corporativo pela escola de Harvard. Esse conceito é apresentado em quase 100% das palestras ou cursos de gestões.  Os gestores mais experientes não aguentam mais ouvi-lo. Alguns, já até inovaram e acrescentaram algumas letras, como o VE, que agora é chamado de CHAVE. O conceito melhorou, porque temos a letra V, que trás o significado da palavra “valores” e o E de “entorno”. Ou seja, o ser humano passa a ser colocado em cheque de uma forma mais ampliada. É bom. Mas isso não significa que essas duas letras vai transformar algo. Como dizia alguns amigos meus, o negócio é muito mais em baixo. Se você ainda não conhece o conceito CHAVE, vale a pena estudá-lo. Pelo menos passa a impressão de que uma nova porta pode se abrir. Espero que seja no desenvolvimento e entendimento profundo do ser humano. Pois ele é a chave.

Muito está se falando em motivar as pessoas, criar um ambiente agradável, pagar incentivos monetários, pregar que todos devem pensar de forma positiva e solidária. Mas pouco anda se falando, dentro das empresas, sobre como aumentar a motivação e fundir grandes propósitos.

A palavra motivação está sendo muito usada no sentido figurado. Alguns até se esqueceram de que para estar motivados é preciso ter um motivo. Ter algo que se apegue. Que gere valor e ação. Ninguém faz nada se não houver um motivo. Mas a boa notícia é que, nesse momento, temos a introdução do papel do líder. O líder precisa descobrir, junto aos seus liderados, quais são os seus verdadeiros motivos e ansiedades. O que os fazem estarem ali trabalhando? Para que? Para compreender se seus motivos estão alinhados com os motivos da organização.

Lembre-se que motivo mais ação é igual à motivação. Motivação tem que gerar esperança. O motivo pode estar no passado, mas o objetivo de ter um motivo é o futuro. Não é para isso que trabalhamos? Para ter um futuro melhor? Mas nada acontece se todos não estiverem engajados. O caminho para o engajamento é motivar os liderados a terem esperanças. É projetar um futuro que gere motivação. É mostrar que é possível. É fazer com que todos lutem pela mesma causa. É alinhar os motivos aos laços emocionais mais profundos. É fazer a ponte.  É plantar propósitos. Para Freud existem dois tipos de laços emocionais: “Um é a ligação com aquilo que é amado e o outro surge do senso de aproximação e de pertencer. Se existir uma significativa similaridade e senso comum entre as pessoas são possível uma conexão a nível emocional. Essa conexão é um suporte poderoso da sociedade humana”.  O líder é aquele que faz a ponte entre essa conexão. Pare e pense o quanto as organizações falham em direcionar seus colaboradores e definir motivos claros. Faça apenas um teste. Pergunte para seus liderados qual é a missão da sua empresa. O porquê ela ter sido escrita com aquelas palavras. Qual o significado. Quem estava presente quando ela foi decidida. Se prepare, pois você tomará um susto.

Muitos dizem que o problema está na comunicação entre o topo da pirâmide (nível estratégico) e a base (operacional). Não se iluda. Essa afirmativa é apenas a ponta do iceberg.

Como pode os meios de comunicação avançar tanto e o problema maior ser de comunicação?

Que paradoxo é esse? Entretanto, não compartilho da mesma fé de se apegar apenas em conceitos estratégicos. Muitos conceitos servem para diminuir a ansiedade, inseguranças, criar esperanças e levar novamente para a zona de conforto. Outros já acham que os processos e procedimentos precisam ser melhorados. Com isso, investem e criam mais processos e procedimentos. Esse é mais um verniz que o mundo corporativo passa para fugir da humanização. Convenhamos que não existam processos para motivação. A motivação é gerada por meio da transformação continua do homem. É quando se consegue dar mais vida a vida. É fortalecer o que já existe na essência. O líder não dá sentido na vida de ninguém, seria até injusto pensar assim. Toda vida tem seu sentido. O que o líder faz é provocar seus liderados a descobrirem sua autenticidade e vontades mais profundas. Se você lidera, não entregue algo pronto ou modelado. Evite os padrões. O engajamento só acontece quando os liderados descobrem o porquê e para que? E é nesse momento quando a vida deles está dentro da vida da empresa e não fora dela. Eles precisam sentir que suas vidas estão sendo vividas. Vou lhes dar um pensamento do filósofo alemão, Friedrich Nietzsche: “Se você tivesse que viver sua vida inúmeras vezes. Sua própria vida já vivida. Sem haver nada de novo nela. Cada dia, cada dor e alegria iriam se repetir; retornariam para você mesmo, na mesma sequência. Várias e várias vezes. Imagine o infinito. Onde cada ato escolhido seria para sempre. Então, toda vida não vivida permaneceria dentro de você, por toda eternidade”. Como seria? Gosta dessa ideia? Essa é uma pista para encontrar o engajamento mais profundo. O laço entre a essência e o motivo.

Como havia dito anteriormente, os processos não são suficientes para transformarem as pessoas e as organizações. Deixo claro que não tenho nada contra. Eles são fundamentais para sobrevivência de qualquer organização.  Mas, reforço, a atenção deve sempre estar nas pessoas. Sem direção de propósito nada acontece. Sem motivo a chama não ascende. O leão continua dormindo.

E você, se sente inspirado, direcionado e motivado? Quais são seus motivos? Sabe o que tem que ser feito? Seus liderados sabem o porquê eles estão ali? Convido você a se perguntar por que um homem explode o seu próprio corpo em prol de uma causa? Deixando na maioria das vezes esposa e filhos. O que faz um ser humano acreditar tanto em algo? Que motivo seria esse? Que capítulo é esse que ainda não foi inserido no planejamento estratégico de muitas empresas? Que conhecimento é esse que não foi difundido dentro das equipes? Qual habilidade é essa que não foi desenvolvida? Que nível de engajamento é esse? Está valendo a pena gastar a sua vida na organização em que trabalha? Se sim, parabéns! Você e sua empresa devem ter grandes motivos.  Aposto, também, que você sempre escuta que é uma pessoa muito motivada, animada e entusiasmada. Que está sempre de bem com a vida.

Não venda sua vida para líderes ou empresas que não tem motivos. Não vale a pena. Essa escolha não tem motivos. Além de você correr, ainda, o risco de se contaminar e passar para o grupo que é conhecido como os sem motivos ou desmotivados.

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