Apresentação de Case – A credibilidade de um RH evita prejuízo de US$1.200.000


Benedito Milioni

Benedito Milioni

Corria o ano de 1979. Um ano difícil para os Gerentes de Relações Industriais e de Recursos Humanos, por causa da efervescência dos movimentos sindicais e das greves que se sucedia mais rápido que a capacidade das empresas em cuidar da própria preparação para enfrentá-las.

As negociações entre os sindicatos patronais e os das categorias profissionais, sobretudo no segmento metalúrgico do ABC paulista, eram pautadas por tensões fortes e trocas de acusações, muitas delas contaminadas pelo fervor político.

Enfim, a vida dos gestores de RH não era nada fácil, mesmo porque ainda tinham que contornar as situações criadas por empresários ainda saudosos dos tempos em que tudo se resolvia por meio da repressão policial.

Nosso herói, o foco desses RH POSITIVO, era um daqueles profissionais que não alcançaram notoriedade, jamais foram convidados para apresentar palestras ou presidir mesas nos eventos em que se discutia o novo perfil das relações capital/trabalho, mas era um profissional experiente e de uma honradez cristalina.

Ele gerenciava Relações Industriais e Recursos Humanos numa metalúrgica que produzia materiais fundidos, em três turnos de trabalho, 365 dias por ano, sem folgas, porque o processo fabril e os contratos internos e de exportação eram rigorosos e estes previam multas pesadas em caso de falhas de fornecimento. Enfim, a empresa não podia parar, não podia sequer imaginar máquinas paradas, por causa de greves. Seus fornos deveriam ser mantidos numa estreita faixa de mínimos e máximos de temperatura, sob o risco de serem perdidos irremediavelmente, se os padrões de operações não fossem seguidos à risca.

Na sala onde estavam reunidas as equipes de negociações, o ambiente era explosivo: tensões, fumaça de cigarros, nenhuma cordialidade e muita “cara feia”, porque o impasse era pesado: os dirigentes sindicais exigiam o cumprimento de uma extensa pauta, na qual era ponto de honra para eles obter a revisão salarial, a garantia de emprego, as comissões de fábrica, a reforma nos vestiários e mudanças radicais no restaurante da fábrica (de fato, este era um horror; pior, quase impossível!).

Tudo estava caminhando para um acordo, quando se chegou à questão do restaurante: o Diretor Administrativo e Financeiro da empresa, presente na reunião, não se mostrava sensível para o assunto, mencionando, várias vezes, que a empresa só estudaria possíveis reformas no restaurante em médio prazo, com o que não concordavam os dirigentes sindicais.

No momento mais agudo das tensões, foi exigida uma posição final da empresa sobre o restaurante, caso contrário a paralisação geral seria iniciada no minuto seguinte.

Se parassem as operações, o prejuízo para a empresa seria de US$1, 200, 000 (desligamento dos fornos e os três dias adicionais de religamento até atingir a temperatura ideal, mais as perdas financeiras).

O mais exaltado dos dirigentes sindicais levantou-se, deu um murro na mesa e berrou: “Quem garante que a empresa vai tomar providências para valer ou vai enrolar como sempre faz?”

Ao silêncio constrangedor que se seguiu, o nosso herói disse serenamente: “Eu!. Todos os dirigentes sindicais deram gargalhadas e ironizaram a resposta. Todos, menos um. Este levantou-se e disse: ” A palavra desse homem para mim vale mais que qualquer acordo no papel. O papel pode ser esquecido e discutido na justiça, mas a palavra dele nunca deixou de ser cumprida! Ele não me conhece, mas eu e muitos outros companheiros sabemos quem ele é! Meu voto é apostar na palavra dele, sem medo de perder!”

Pediu-se um recesso de meia hora, findo o qual o acordo foi aceito pelos dirigentes sindicais, livrando a empresa da perda mencionada acima. Esta seria apenas mais uma das histórias dos turbulentos tempos do renascimento do movimento sindical.

Por Benedito Milioni

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