A ESCOLHA ILUMINADA DE UMA PROFISSÃO ABENÇOADA


Benedito Milioni

Benedito Milioni

Não deve ter nada mais angustiante que, aos 16 ou 17 anos de idade, por aí, um pouco mais ou um pouco menos, escolher uma profissão para o resto da vida! Milhões de jovens precisam fazer essa escolha, terminando o ciclo do ensino médio e prontos para ser sugados pela máquina de moer gente chamada “vestibular”  Pior, ainda não sei bem,  deve ser escolher casar  com aquele (a) que está na área ou esperar um pouco mais, especialmente quando as titias da família começam a sussurrar pelos cantos!

O fato é que a pessoa que inspirou essa crônica estava sob o sufocante peso da escolha de carreira, uma vez que já tinha passado por muitas experiências e detestado todas: tentou ser vendedora e sentiu-se um peixe nas areias do Saara, viu se dava para ser enfermeira e admitiu que, embora fosse uma profissão linda, “não era a sua praia” e quase misturou todas as estações na cabeça, quando passou pela área de Informática, um mistério apavorante para quem, como ela, considerava um computador como invenção do rabudo das profundas!

Procurou orientação numa dessa revistas que prometem a saída para ao dilemas da carreira profissional, bastando responder um teste com meia dúzia de perguntas infantis, marcando uma das insípidas alternativas de resposta. Numa delas, o teste afirmava que seu perfil indicava uma enorme aderência às ocupações que giravam em torno da área de Saúde; na outra, do mesmo título, três meses depois, o teste sugeria que devesse mergulhar no campo da pesquisa pura.

Aconselhada na faculdade que cursava (Administração, uma escolha sem muito esforço, por ser uma graduação genérica e, segundo lhe foi dito muitas vezes, que abre muitas portas diferentes), foi procurar uns exames vocacionais. Contratando os serviços de uma aventureira no campo, sem o devido preparo técnico-científico, gastou uma montanha de seu suado dinheirinho e ficou mais confusa ainda.

Perdida em seu pensamentos, quando descia a rampa da estação Santa Cecília do metrô de São Paulo, teve sua atenção captada por uma cena em três atos: o primeiro, mostrando um homem idoso tropeçando e caindo, o segundo, que pareceu escorrer durante horas, desfilou cinco pessoas que apenas se desviaram do homem àquela altura caído no chão, aparentando dor  e o terceiro, uma pintura de beleza, delicadeza, calor humano na sua mais absoluta expressão. Merece até um parágrafo só para descrevê-lo e tentar “passar” para o(a) leitor(a) o momento em arte pura: uma moça, vestida com discreto conjunto preto, calças compridas e blazer, sobre leve blusa azul de golas em ponta, tipo alegre gaivota, abaixa-se, ampara o senhor caído em sua perna direita flexionada, já que se apoiava sob o joelho esquerdo, segura-lhe uma das mãos ao mesmo tempo em que acaricia o rosto barbado e contorcido seguramente pela dor.

Minutos depois, já refeito do susto e pelo amparo daquele anjo urbano, o senhor é levado pelos profissionais da Segurança do Metrô no rumo de um veículo da empresa que estava estacionado. A moça de preto, sumiu no meio da multidão que descia apressada a mesma rampa, como batatas caindo de um saco aberto repentinamente, porém, para a observadora das cenas, parecia que ela havia embarcado numa nuvem de luz e flutuou dali para fora…

Ela, a indecisa criatura,  PRECISAVA saber mais sobre aquela moça que lhe pareceu iluminada! Discretamente aproximou-se dela, antes que o pessoal do Metrô assumisse as atenções para ao acidentado e, fazendo-lhe uma pergunta sobre onde adquirir o bilhete de acesso aos trens do Metrô, olhou atentamente o crachá que trazia no peito, pendurado numa bonita fita com o nome de uma empresa, de um banco nas proximidades mais precisamente, e lá estava escrito, bem no meio do documento, um pouco abaixo do seu nome (Cláudia): RECURSOS HUMANOS.

Agradecendo a informação que lhe foi passada, dirigiu-se para o local indicado, como se fosse, de fato, adquirir os bilhetes, e, naquele momento, bem lá dentro dela, naquela zona a que uns chamam de “inconsciente” e outros, cada vez em número maior, preferem que seja um tal de “espírito”, firmou-se para sempre a escolha da carreira.

Dizem mais ainda: que o Gerente Universal  de Recursos Humanos tem lá os seus meios sutis de, sem interferir no livre arbítrio das pessoas, dar-lhes um tiquinho que seja de inspiração quanto ao que Ele prefere para elas, sobretudo as que vão cuidar de outras (gente que cuida de gente, coisa linda demais!).

Por Benedito Milioni

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